CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tempo de Glória








Tempo de Glória
Glory. EUA, 1989, 122 min. Direção: Edward Zwick. Elenco: Denzel Washington, Morgan Freeman, Matthew Broderick. Contexto histórico: Guerra de Secessão (1861-1865). Sinopse: o filme conta a história de um regimento negro que lutou pelo Norte durante a Guerra Civil. O comandante era um homem branco, descendente de uma família rica e antiescravista. O filme descreve o treinamento dos negros voluntários, o real desejo de lutar na Guerra, até o ataque insano ao forte Wagner em 1863, na Carolina do Sul (romantizado ao extremo no filme), quando o batalhão foi dizimado. Ponto Forte: destaca a participação dos negros na Guerra de Secessão e é baseado em uma história verídica do militar Robert Shaw. O filme é contado através das cartas que esse militar escrevia para sua família. A coragem do regimento teria colaborado para que os nortistas libertassem os escravos no mesmo ano. Ponto fraco: o título pouco tem a ver com o filme, que não fala de glória, fala de morte (o filme inicia e termina com cenas de massacres). A glória é um atributo dos heróis, e a guerra não produz heróis, produz vítimas. Portanto, uma visão romântica da Guerra de Secessão e da formação de um “batalhão negro de bravos combatentes”, quando na verdade esses soldados foram usados como “bucha de canhão” em ataques suicidas. A péssima atuação de Matthew Broderick como Robert Shaw é outro ponto fraco do filme.

Tempos Modernos






Tempos Modernos
Morden Times. EUA, 1936, 105 minutos. Direção: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard. Contexto histórico: Segunda Revolução Industrial e Crise de 29 nos Estados Unidos. Sinopse: Carlitos é um operário que trabalha na linha de montagem de uma grande fábrica, executa o tempo inteiro a mesma função, apertar parafusos. Um trabalho repetitivo e desumano que acaba levando Carlitos a loucura. Ponto forte: Chaplin critica a especialização do trabalho, a limitação do trabalhador, que se torna um grande “colocador de parafuso”, mas que não conhece todo o processo de produção da mercadoria que produz. Ao ser despedido tem dificuldade de arrumar um emprego, por não saber fazer outra coisa. Logo na abertura do filme, é mostrado um grande relógio, que é o símbolo dos tempos modernos, pois, para muitos historiadores, a invenção que realmente possibilitou a Revolução Industrial foi o relógio. Extremamente didático e mordaz, o filme inicia com imagens de um rebanho de ovelhas que se transformam em um grupo de operários. O processo perverso imposto pela máquina fica explicitado no aparelho de alimentar trabalhadores, invenção que objetivava aumentar o tempo de trabalho cortando a hora do almoço. A máquina era para alimentar os trabalhadores sem que eles saíssem da linha de produção. A cena mais conhecida do filme é também a mais humana , é quando no seu serviço de apertar parafusos chaplin não consegue nem se coçar, devido à velocidade da esteira. Os efeitos da depressão econômica também aparecem no filme, como a pobreza, o desemprego e as drogas: feito há mais de setenta anos atrás, o filme impressiona pela sua atualidade. A heroína da história, companheira de carlitos, é uma órfã que teve o pai morto durante uma manifestação de trabalhadores. Duas décadas depois, durante o marcathismo, Chaplin foi acusado de simpatizante do comunismo, entre os argumentos estava a crítica ao capitalismo no filme Tempos Modernos. Imperdível.

Terra de Ninguém








Terra de Ninguém
No man´s land. BOS/ESL/FRA/ING/BEL, 2001, 98 minutos. Direção: Danis Tanovic. Elenco: Branko Djuric, René Bitorajac. Sinopse: Um soldado bósnio e um sérvio por acidente acabam na mesma trincheira. Contexto histórico: retrata a guerra entre Bósnia e Sérvia (1992-1995). A Guerra da Bósnia, como foi chamada, foi considerada a mais violenta desde a Segunda Guerra Mundial. Ponto forte: o filme denuncia a omissão da ONU e das grandes potências mundiais em relação ao conflito no leste europeu. Globo de Ouro e o Oscar de filme estrangeiro

O Último Rei da Escócia





O Último Rei da Escócia



The Last King of Scotland. EUA, 2007, 122 minutos.. Direção: Kevin Macdonald. Elenco: Forest Whitaker, James McAvoy. Contexto histórico: a ditadura de Idi Amin Dada em Uganda (1971-1979). Amin chegou ao poder através de um golpe de estado e governou de maneira arbitrária e violenta: foi o responsável pelo assassinato de 300 mil pessoas. Em 1972 expulsou 40 mil asiáticos sob o pretexto de transformar Uganda em um país de homens negros. Amin certa vez se declarou “rei da Escócia” e passou a usar Kilt (saiote escocês). Sinopse: um jovem médico escocês vai trabalhar em Uganda e se torna médico particular e conselheiro do ditador Idi Amin. Ponto forte: o roteiro mistura de forma muito criativa um personagem fictício (o médico) e um personagem histórico (Idi Amin). O filme foi baseado nos relatos do escritor Giles Foden que viveu muitos anos em Uganda. Há um equilíbrio entre ficção e documentário, inclusive por ter sido filmado em Uganda mesmo. As atrocidades praticadas por Idi Amin. O ator Forest está fisicamente muito parecido com o ditador e ganhou o Oscar pela atuação. Ponto Fraco: o exagero nas cenas de violência que tinham como objetivo mostrar as atrocidades praticadas por Idi Amin.

Um filme falado


Um filme falado
POR/FRA/ITA, 2003, 91 minutos. Direção: Manoel de Oliveira. Elenco: Leonor Silveira John Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania Sandrelli, Irene Papas. Sinopse: uma professora de história viaja com sua filha de navio pelas margens do mediterrâneo, explicando mitos e mostrando obras. O enredo é apenas um pretexto para uma aula de história da arte. Ponto Forte: Um guia turístico apresentado em forma de filme de ficção. Mitos, mosaicos, lendas, ruínas, teatros, templos, monumentos, costumes, castelos, catedrais, mosteiros, vão sendo mostrados e comentados. Faz uma analogia discreta entre Portugal (berço da navegação moderna) e Grécia (berço da civilização ocidental). Elogio da cultura e da língua portuguesa, apresenta Portugal, Grécia, Roma, como os berços da civilização e das expansões marítimas ao longo da história. O que é civilização? Mito? Lenda? Faraó? Pergunta a menina. Napoleão, Teodósio, Vasco da Gama, Canal de Suez, Acrópole, as citações são inúmeras. Na segunda metade, o filme apresenta um superficial e longo debate sobre as relações amorosas e questões íntimas, pois o objetivo verdadeiro do diretor não é o conteúdo das falas, mas mostrar que apesar de cada participante falar uma língua (italiano, inglês, francês e inglês) todos se entendem, apenas quando entra o português é que se concretiza a “torre de babel”, ou seja, apenas o português não é compreendido pelos membros da conversa. Um filme denuncia da desvalorização da língua portuguesa e exaltação da importância do idioma.

Um Homem Bom



Um Homem Bom
Good. ING/ALE, 2008, 99 minutos. Direção: Vicente Amorim Elenco: Viggo Mortensen, Jason Isaacs. Contexto histórico: a ascensão do nazismo na Alemanha. Sinopse: autor de um romance que defende a eutanásia vê seu livro incluído na lista de leitura indicada pelos nazistas e sendo utilizado como argumento na defesa de práticas violentas do regime. Ponto forte: retrata a participação de pessoas que não se identificam com a ideologia nazista, mas acabam colaborando com o regime, arrastadas pela força de cooptação do Estado totalitário.


A Vida dos Outros


A Vida dos Outros
Das Leben der Anderen. ALE, 2006, 137 minutos. Direção: Florian Henckel Von Donnersmarck. Elenco: Gerd Wiesler, Ulrich Mühe, Georg Dreyman, Christa-Maria Sieland. Contexto histórico: retrata a atuação da Stasi, polícia secreta do regime totalitário da Alemanha Oriental na década de 80. A Stasi chegou a ter 90 mil agentes e 170 mil informantes. A organização mantinha registros de cada uma das máquinas de escrever do país para impedir textos anônimos. Sinopse: um prestigiado dramaturgo é vigiado pela Stasi, porém o agente que o espiona – através de microfones instalados na sua residência – acaba se envolvendo com o espionado, com a sua paixão pela vida e pela arte, e se transforma de delator em protetor do escritor. O contato com a vida do dramaturgo transfigura o agente da Stasi, antes uma pessoa fria com um rosto sem expressão. Ponto forte: a complexa fusão entre ficção e realidade é perfeita, sustentada por um roteiro completamente ficcional mas verossímil. O filme é envolvente e o ator Ulrich Mühe consegue passar a transformação do agente de forma sóbria e despojada, com poucas palavras e gestos econômicos. O filme ganhou o César, o Bafta e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.