CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Show de Thuman





O Show de Thuman



Thuman Show. EUA, 1988, 103 minutos. Direção: Peter Weir. Elenco: Jim Carrey, Laura Linney, Noan Emmerich. Contexto histórico: fábula contemporânea sobre a liberdade individual, sobre a questão das escolhas, da privacidade e sobre a ética nos meios de comunicação. Sinopse: Thuman vive desde que nasceu dentro de um gigantesco estúdio de televisão, pois ele é, sem saber, o astro principal de reality show. Todas as pessoas com as quais convive são atores interpretando papéis: seus pais, sua esposa, seu melhor amigo. Seus passos são vigiados 24 horas por dia por milhões de telespectadores. A sua cidade é idílica, tudo funciona de maneira exata. Ele só começa a desconfiar que algo está errado quando uma atriz figurante tenta contar para ele a verdade e é retirada do programa. É o primeiro contato de Truman com o mundo real. O segundo é quando um refletor do estúdio cai na sua frente, depois ele vê na rua seu pai que estava “morto”. Assim começa a perceber que algo está errado no seu “mundo perfeito”. A descoberta de que tudo a sua volta é falso, é uma descoberta pessoal diferente, não se trata de uma conscientização política, mas da sua condição humana. Ponto forte: O fato de não saber que sua vida é uma farsa, que sua cidade é um cenário e que suas relações são fictícias é o que incomoda e inquieta a quem assiste ao filme. É como se pensássemos, será que minha vida também não é falsa? Será que não vivemos em uma sociedade onde todos representam e nós preferimos chamar de convenção social? Até que ponto as nossas escolhas são realmente feitas por nós ou influenciadas decisivamente pelo meio social? O diretor do programa é como se fosse um deus, decide quando chove, qual a temperatura e o destino de Truman. No fim, quase acaba matando a sua criação. O filme foi feito antes da praga dos reality show se espalhar na televisão mundial. Imperdível.

Sindicato de Ladrões






Sindicato de Ladrões


On The Waterfront. Contexto histórico: período da paranóia anti-comunista nos EUA, a máfia dos sindicatos. Sinopse: um ex-boxeador torna-se estivador e é atormentado pelo sentimento de culpa por ter participado, involuntariamente, do assassinato de um colega que pretendia denunciar o sindicato da categoria. Inspirado em uma série de reportagens sobre a corrupção nos portos de Nova York e Nova Jérsei. Ponto forte: o filme aborda o tema da delação, seu diretor vinha sendo criticado por delatar os colegas para a comissão de antiamericanos que perseguia comunistas no período do marcathismo. Retrata também a questão da corrupção nos sindicatos. Bela simbologia do protagonista criando pombos como metáfora da liberdade. Filme bastante realista para os padrões de Hollywood.

O Sol de Cada Manhã – O Homem do Tempo



O Sol de Cada Manhã – O Homem do Tempo
The Weather Man. EUA, 2005, 101 minutos. Direção: Gore Verbinski. Elenco: Nicolas Cage, Michael Caine, Hope Davis. Contexto histórico: atual. Sinopse: as dificuldades profissionais e afetivas de um jornalista responsável por transmitir a previsão do tempo em Chicago, cidade que possui um dos climas mais instáveis do mundo. Ele não consegue se relacionar com a ex-esposa, com os filhos e com seu pai. Mesmo ganhando vinte mil dólares por mês sente-se infeliz, questionando o ideal norte-americano de sucesso. Ponto forte: o modo americano – que já não é apenas americano, mas ocidental – de vida, questões simples como dinheiro e carreira bem sucedida não trazem necessariamente felicidade. Retrata também a dificuldade das relações pessoais, principalmente entre pais e filhos. Recheado de elementos da atual cultura americana, usa o fast food como metáfora do cotidiano contemporâneo, pois durante todo o filme lanches rápidos são jogados no protagonista. Atualmente, todos temos duas pátrias: aquela em que nascemos e os Estados Unidos na América, pela influencia cultural, lingüística e tecnológica. Imperdível.

Soldado Anônimo





Soldado Anônimo



Jarhead. EUA, 2005, 123 minutos. Direção: Sam Mendes. Elenco: Jake Gyllenhaal, Jamie Foxx. Contexto histórico: as atuais intervenções norte americanas no Oriente Médio. Sinopse: o filme concentra-se na dura preparação dos fuzileiros americanos para o combate no Iraque. Eles passam meses destilando ódio sobre os iraquianos, na expectativa de entrar em combate. Esteticamente, a cena mais marcante da obra é uma tempestade de petróleo. Ponto forte: o filme constitui-se em um tradicional drama de guerra, porém atualizado para o Oriente Médio.

Sombras de Goya





Sombras de Goya



Goya’s Ghost. ESP/EUA, 2006, 118 minutos. Direção: Milos Forman. Elenco: Natalie Portman, Javier Bardem, Stellan Skarsgard. Contexto histórico: a inquisição da Espanha nos seus últimos anos, a invasão de Napoleão à Espanha. Sinopse: não se trata de uma biografia do pintor Goya, ele apenas presencia o drama de uma bela jovem de origem judaica que é injusta, e absurdamente, condenada aos porões do Santo Oficio da Inquisição por não comer carne de porco. A moça é usada para “serviços sexuais” na prisão e aos sair – quando as tropas de Napoleão invadem a Espanha – está louca e sem destino. Ponto forte: A obra aborda os métodos e a violência da Inquisição, a brutalidade das invasões napoleônicas e do caráter humano. Ficção histórica perfeita, tanto pelo roteiro, quanto pela caracterização do passado, criada a partir de pinturas e de observações do pintor espanhol Francisco Goya.

Sou Cuba




Sou Cuba


Soy Cuba. CUB/URSS, 1964, 140 minutos. Direção: Mikhail Kalatozov. Elenco: atores amadores. Contexto histórico: o período da ditadura de Fulgêncio Batista em Cuba, a oposição universitária nas cidades e o início da guerrilha rural que acabou resultando na Revolução Cubana. Sinopse: o filme apresenta a utilização de Cuba como um “quintal” americano, um lugar para diversões, com espetáculos noturnos e prostituição, depois mostra a exploração dos camponeses pelos latifundiários, o movimento estudantil contra o regime de Fulgêncio Batista e o início da Guerrilha em Sierra Maestra. Ponto forte: as filmagens foram realizadas nos lugares onde os fatos retratados aconteceram. Uma ficção apresentada como documentário. Não foram utilizados atores profissionais, somente pessoas comuns ou atores iniciantes, para dar mais veracidade a narrativa. A idéia do realismo socialista de personagem coletivo já aparece no título: a heroína do filme é a própria Cuba. O filme foi uma encomenda feita à União Soviética pelo Instituto Cubano Del Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC). A idéia era produzir um filme didático que “atingisse as massas”. O maior cineasta do mundo comunista no período, diretor do consagrado Quando voam as cegonhas, Kalatozov, ficou encarregado do trabalho. Mas o governo cubano não gostou do resultado final. Em 2004, um documentário brasileiro, Soy Cuba: o mamute siberiano, de Vicente Ferraz, revela os bastidores da produção e questiona os motivos que levaram o filme a cair no esquecido durante muitos anos.

Exatos 37 anos antes do governo comunista de Cuba, o governo comunista da União Soviética buscou também “chegar nas massas” através de um filme didático e nacionalista que reconstituía a Revolução de 1917:
Outubro. Oktybr. URSS, 1927, 95 minutos, P&B. Direção: Sergei Eisenstein e Grigori Aleksandrov. Elenco: Wladimir Popov, Vasili Nikandrov. Filme estatal, portanto uma propaganda explícita, realizado com o objetivo de comemorar os dez anos da vitória da Revolução Vermelha. Narra o processo revolucionário dos bolcheviques. Filmado nos locais onde os fatos realmente aconteceram dando um aspecto de documentário apesar de ser um filme de ficção. A semelhança física dos atores com os personagens históricos representados acentua esse aspecto documental. O filme foi considerado complicado e complexo, o que desgostou o governo comunista que queria um filme didático exaltando a revolução. A censura Stalinista obrigou Eisenstein a tirar Trotsky de seu épico sobre a Revolução Comunista. Um falso documentário.


Spartacus


Spartacus



Spartacus. EUA/ING, 1960, 197 minutos. Direção: Stanley Kubrick, 1960. Contexto histórico: o período da República em Roma e a mão-de-obra escrava. Sinopse: o filme descreve duas rebeliões comandadas por um escravo originário da Trácia, chamado Spartacus: a fuga de gladiadores ocorrida em 73 a.C., quando cerca de cem homens fogem da Escola de Gladiadores de Cápua e a grande rebelião de escravos que chegou a vencer o exército romano em 72 a.C. Spartacus chegou a comandar um exército com cem mil escravos. Apenas duas décadas depois, o Império Romano conseguiu derrotar os escravos rebelados. Sessenta mil foram mortos e seis mil crucificados ao longo da estrada que ligava a colônia de Cápua à Roma. Ponto forte: mostra a diversidade étnica dos escravos romanos e, mais especificamente, o drama dos escravos que eram obrigados a lutar entre si para saírem vivos da arena, tendo que matar os companheiros. O filme é cheio de anacronismos: frases como “que deus esteja contigo”, a presença de comportamentos contemporâneos, como a defesa do ateísmo e os vestidos femininos com decotes e botões. Surprendentemente, possui uma cena de homossexualismo, um escravo dando banho em seu senhor Crassus, que fala “meu gosto inclui ostras [mulheres] e caracóis [homens]”. A cena foi cortada do filme na década de 60 e só foi recolocada na década de 80. O filme descreve a corrupção no senado romano e a disputa pelo poder em Roma, entre os chefes militares e os senadores, ambos retratados como líderes egoístas. Baseando-se no romance homônimo de Howard Fast, de 1954 Curiosidade: Spartacus contêm analogias e referências claras a Guerra Fria, como a frase “Talvez não haja mais paz nesse mundo, nem para nós, nem para ninguém”. O roteirista Dalton Trumbo, perseguido pelo Macarthismo, tinha seu nome na lista negra e criou um senador romano (Crasso) que lembrava o senador Joseph McCarthy, principalmente quando afirma que as “listas dos desleais foram copiladas”.