CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Estado de Sítio


Estado de Sítio
État de Siège. FRA/ITA/ALE, 1973, 120 minutos. Direção: Costa-Gravas. Elenco: Yves Montand, Renato Salvatori, Jacques Weber. Contexto histórico: ditaduras militares da América Latina nas décadas de 60 e 70. Sinopse: um professor de tortura, colaborador das ditaduras militares da América do Sul, é encontrado morto. A partir desse acontecimento, a história é contada em flashback, mostrando a ação dos Tupamaros (referente a Túpac-Amaru, cacique morto pelos espanhóis no século XVIII), grupo radical da esquerda armada. Ponto forte: retrata a interferência dos Estados Unidos na implantação de ditaduras militares na América Latina. Os EUA, após a Revolução Cubana, começaram a achar mais seguro a implantação de regimes militares de direita, a fim de garantir a continuidade do capitalismo na América, dentro do quadro da Guerra Fria. Filme extremamente panfletário e polêmico, principalmente por ser simpático a um grupo armado. Baseado na história real de Franco Solinas.

Fahrenheit 451




Fahrenheit 451
Fahrenheit 451. ING, 1966, 112 minutos. Direção: François Truffaut. Elenco: Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack. Contexto histórico: apesar de atemporal, revela preocupações típicas dos anos 50 (quando o livro foi escrito) e 60 (quando o filme foi feito), como as ditaduras militares, os autoritarismo e o poder dos meios de comunicação de massa. Sinopse: conta a história do bombeiro Montag, cuja função era ensinar os colegas novatos a encontrar livros escondidos e queimá-los. Por curiosidade, ele experimenta ler um livro e fica fascinado. Acaba transformando-se em um leitor e também em um subversivo, pois a leitura de livros é proibida pelo Estado. Logo que começa a ler, senti-se deslocado e depois passa a sentir-se um estranho no corpo de bombeiros. É denunciado pela própria esposa (as pessoas são incentivadas a delatar os familiares: “Companheiros, não deixem de observar seus amigos. Estar vigilante é o seu dever. É necessário que colaborem para a ordem”) e acaba perseguido pelos antigos colegas. Por fim, ele foge - apesar da televisão anunciar a sua morte - e acaba integrando uma espécie de “sociedade secreta”, chamada pessoas livro. O grupo decora livros clássicos para que as obras não se percam, resguardando, assim, o conhecimento humano. Ponto forte: O filme retrata um universo, onde a palavra impressa é proibida, somente são permitidos números e imagens. As pessoas são proibidas de ter e ler livros, considerados objetos subversivos. Elas escondem os livros em falsos televisores, em lustres, em móveis, em geladeiras. Quando as obras são achadas, elas são queimadas pelos bombeiros (fahrenheit 451, que se refere o título do filme, é a “temperatura ideal” para queimar livros), que não possuem mais a função de apagar incêndios, devido ao material das casas serem totalmente a prova de fogo, mais sim eliminar os livros. Ou seja, os bombeiros inverteram o seu papel, não apagam incêndios, mas os provocam. Eles usam uniforme preto e fazem saudações ao estilo nazi-fascista. As pessoas têm medo dos bombeiros, como se eles fossem uma polícia secreta.
O fim dos livros, resulta na perda das emoções pelas pessoas, que se tornam frias e distantes (“não estão vivendo, estão só matando o tempo”). As pessoas suprem o vazio existencial tomando comprimidos e assistindo televisão. O aparelho substitui a família, os telespectadores são chamados de “primos” e é criada uma falsa interatividade, visando fornecer um sentimento de participação. Participar de um programa significa entrar na “família”. Um novo aparelho de tv significa aumentar a família. O diretor do programa de televisão é chamado de “chefe da família”. Esse contexto gera atitudes infantilizadas, diálogos superficiais, dificuldade de articulação e de raciocínio. As pessoas evitam qualquer sentimento mais profundo. Mas a arbitrariedade retratada vai além da destruição dos livros: os homens são proibidos de ter cabelo comprido e existe a patrulha de limpeza para cortá-lo, as crianças só aprendem números e operações básicas de matemática no colégio; as ruas estão cheias de caixas para colocar denúncias anônimas. No fundo, o filme é uma grande homenagem aos livros e a leitura. Baseado no livro homônimo de Ray Bradbury.

Vale a pena destacar a inteligência do roteiro:
Chefe dos bombeiros:
- “Os livros não tem nada a dizer. São sobre pessoas que nunca existiram. Filosofia é pior que romance. É apenas o desejo de escrever, vaidade”.
- “Um livro sobre câncer de pulmão e todos os fumantes entraram em pânico, então pela paz de espírito de todos, nós o queimamos”
- “Quem lê se acha superior e todos devem ser iguais. O único meio de sermos felizes é tornar todo mundo igual. Então devemos queimar os livros, todos os livros”.
- “Deixamos esse monte de contradição queimar”
Montag:
- “Queimar livros é um trabalho como outro qualquer. Bom trabalho, e com muita variedade. Segunda, queimamos Micer. Terça, Tolstoi. Quarta, Walt Whitman. Sexta, Faulkner. Sábado e Domingo, Schopenhauer e Sartre”.

Diálogos entre Montag e os chefes dos bombeiros:
“Chefe dos bombeiros: - O que faz nos dias de folga?
Montag – Corto a grama.
Chefe - E se a lei proibir?
Montag - Vejo-a crescer, meu capitão”.

“Chefe dos bombeiros: - Os livros são apenas lixo.
Montag – Então, porque ainda há pessoas que os lêem sendo tão perigosos?
Chefe dos bombeiros: - Porque é proibido. Porque faz as pessoas ficarem infelizes. Livros perturbam as pessoas, tornam-as anti-sociais”.



Forest Gump, o Contador de História





Forest Gump, o Contador de História
Forest Gump. EUA, 1994, 142 minutos. Diretor: Robert Zemeckis. Elenco: Tom Hanks, Robin Wright Penn, Gary Sinise, Sally Field. Contexto histórico: os Estados Unidos durante a segunda fase da Guerra Fria (1962-1979), chamada de Coexistência Pacífica ou Distensão. Sinopse: Forest Gump, apesar de possuir uma inteligência limitada, participa de diversos acontecimentos da história dos Estados Unidos, mesmo que sua participação ocorra de forma acidental. O filme mostra, como pano de fundo, a Guerra do Vietnã e os protestos contra a guerra, o movimento hippie, os atentados à vida de diversos presidentes norte-americanos, o racismo, o grupo Panteras Negras, a aproximação dos EUA com a China durante a Guerra Fria (representada pelo torneio de ping pong), o caso Watergate. Ponto forte: a obra inovou ao inserir um personagem ficcional em acontecimentos históricos como, por exemplo, quando Forrest faz um discurso no protesto realizado em Washington contra a Guerra do Vietnã, ou quando seu barco de pesca é o único a não ser destruído pelo furacão Carmen, que ocorreu na Lousiana, em 1974. Forrest contracena com presidentes norte-americanos, como Kennedy, Nixon e Johnson, e com personalidades tão díspares como Mao Tsé-Tung e John Lennon (o ator Tom Hanks é inserido digitalmente em cenas reais). O personagem vê o mundo com uma simplicidade cândida. O filme mistura humor, drama, sentimentos e história na medida certa. Alguns críticos interpretam-no como uma crítica à mediocridade da sociedade norte-americana, pois mesmo limitado intelectualmente Forrest consegue destaque social relevante. Outros vêem uma mensagem otimista, de que com dedicação, honestidade e esforço é possível superar obstáculos. Os personagens são extremamente bem construídos, quase uma construção literária. O nome do protagonista foi retirado ironicamente de Nathan Bedford Forrest, general do sul na Guerra de Secessão e um dos fundadores da Ku Klux Klan. O filme ganhou seis Oscar, incluindo melhor filme, e o Globo de Ouro. Imperdível.

Guantalamera




Guantalamera
Guantalamera. CUB/ESP/ALE, 1995, 105 minutos. Elenco: Carlos Cruz, Mirta Ibarra, Jorge Perugorría. Contexto histórico: a burocracia do governo cubano de Fidel Castro. Sinopse: mulher e seu marido precisam transportar o corpo da tia morta para o seu “distrito de origem”. A missão é complicada por uma nova lei da burocracia cubana: o rodízio de carros no transporte dos mortos que vão ser enterrados em outras cidades para “racionar o gasto de gasolina”. Ponto forte: aguda crítica a burocracia comunista cubana que estabelece uma lei ineficiente e absurda, conseguindo burocratizar até a morte. Um road movie de crítica social. Guantanamera é a mais famosa canção de Cuba. Inspirado em fatos reais.


Guerra do Fogo




Guerra do Fogo
La Guerre du Feu. FRA/CAN, 1981, 100 minutos. Direção: Jean-Jacques Annaud Elenco: Ron Perlman, Rae Dawn Chong, Nameer El-Kadi. Contexto histórico: Pré-história. Sinopse: três membros de um clã partem em busca de fogo para a sua tribo. O fogo do clã havia apagado por acidente e eles não sabiam como reacender. No caminho, enquanto enfrentam a hostilidade de outras tribos e os perigos da natureza bruta, descobrem recursos para sua sobrevivência e formas de controlar o meio. Ponto Forte: recriação perfeita das características físicas, da vestimenta e do comportamento do homem pré-histórico. Filmado no Quênia, Escócia, Finlândia e Canadá, locais em que teriam vivido os homens pré-históricos. O filme é baseado em um livro de antropologia, O Macaco Nu, de Desmond Morris. Cesar de Melhor Filme e Direção.

“Excelente reconstituição da Pré-História. Em que pese a confusão cronológica, demonstrada nas cenas em que tribos de diferentes estágios evolutivos entram em contato entre si. A caracterização dessas tribos é feita de maneira surpeendente. Com uma bela fotografia e sem uma fala, o filme retrata o contato entre um grupo de homínideos que só se comunica através de gestos e grunhidos, além de não saber dominar a técnica de fazer fogo, e outro grupo, mais evoluído e com uma comunicação e hábitos mais complexos”. Historiador Paulo Jardim.


Guerra de Canudos




Guerra de Canudos
BRA, 1997, 70 minutos. Direção: Sérgio Rezende. Elenco: José Wilker, Cláudia Abreu, Paulo Betti, Marieta Severo. Contexto histórico: os movimentos messiânicos da República Velha, gerados pela miséria do nordeste. O arraial de Canudos, com seus 25 mil habitantes, prejudicava os latifundiarios do interior baiano: quanto mais moradores no povoado, menos trabalhadores nas terras. A igreja local também era prejudicada: quanto mais seguidores do Profeta, menos fiéis. A elite local, então, pede a intervenção do governo federal no arraial. Após resistir a três investidas, o povoado foi destruído pelo exército brasileiro e Conselheiro foi assassinado. Sinopse: o filme acompanha uma família nordestina de retirantes que se estabelece junto com o profeta Antonio Conselheiro em Canudos. A obra reproduz desde a fundação do arraial até a sua destruição pelo exército brasileiro , enviado ao interior da Bahia para acabar com o povoado. Porém, o diretor mostra toda a longa resistencia dos fiéis as investidas policiais e militares contra Canudos. Ponto forte: retoma a questão dos movimentos messiânicos no Brasil, vinculando-os a miséria. Recupera a figura de Antônio Conselheiro, referência histórica na abordagem desse fenômeno social no Brasil. Reproduz literalmente muitas frases retiradas da obra de Euclides da Cunha, Os Sertões. E ainda resalta a posição desfavorável de Conselheiro em relação à República (“Quem inventou os impostos? Quem tirou D. Pedro? Quem terminou com o casamento religioso?”). O filme deu origem a uma série homônima da Rede Globo.

Guerra do Brasil


Guerra do Brasil
BRA, 1986, 104 minutos. Direção: Silvio Back. O documentário retrata a Guerra do Paraguai, com entrevista e encenação das batalhas. Mistura cenas documentais e ficção, fotografias com entrevistas, buscando compreender o maior conflito bélico da história da América do Sul, que envolveu Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. A briga era pela hegemonia da América do Sul. O Paraguai, na época, contava com um razoável conjunto de industrias, tinha uma população alfabetizada e uma boa força militar. O desenvolvimento e a autonomia do Paraguai assustou os demais paises do continente, principalmente Brasil e Argentina, que junto com o Uruguai formaram a Tríplice Aliança. Ainda hoje, o Paraguai tenta se recuperar dessa guerra, pois cerca de 60% por cento da sua população foi dizimada e o país foi completamente destruído. Essa foi a ação mais imperialista da história do Brasil.