CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dr. Jivago





Dr. Jivago
Dr. Zhivago. EUA, 1964, 201 minutos. Direção: David Lean. Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger. Contexto histórico: a Revolução Russa de 1917. Sinopse: o épico narra a revolução comunista e suas conseqüências sociais, principalmente para o médico e poeta Yuri Zhivago, casado com Tonya, uma componente da aristocracia russa que se mostra muito equilibrada, compreensiva e estóica após a Revolução. Zhivago é convocado para trabalhar em duas guerras, a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Civil, e acaba vivendo uma profunda relação amorosa com uma enfermeira. Ponto forte: excelente épico, com cenas bastante fortes e realistas para a época. A melhor descrição do filme é sobre a guerra civil que se seguiu na Rússia após a Revolução Bochevique. Visão pessimista da Revolução Russa e de seus líderes, apresentados como radicais e vingativos na figura do comandante Komarovsky. Bela fotografia da Rússia. Ganhou cinco Oscar e cinco Globos de Ouro. Baseado na obra homônima de Boris Pasternak, clássico da literatura mundial.

E o vento Levou





E o vento Levou
Gone With The Wild. EUA, 1939, 225 minutos. Direção: Victor Flemming. Elenco: Vivien Leigh, Clark Gable, Leslie Howard, Olivia de Havilland. Contexto histórico: Guerra Civil norte-americana (1861-1865). Sinopse: a trajetória de uma mulher (Scarlett O`Hara) sulista durante a Guerra de Secessão, cujo relacionamento é interrompido pela guerra, assim como o seu estilo sulista de vida. Ponto forte: um épico com todos os elementos imprescindíveis para tal: vingança, traição, romance, riqueza, miséria, triângulos amorosos, decepções. O filme, que virou um modelo de épico cinematográfico, retrata a visão sulista da Guerra de Secessão. Scarlett tornou-se uma das personagens femininas mais famosas do cinema. O livro de Margaret Mitchell, uma jornalista de Atlanta, Geórgia, sul dos EUA, publicado em 1936, com mais de mil páginas, vendeu um milhão de exemplares em apenas três meses e é considerado o romance norte-americano mais popular de todos os tempos. A produção do filme foi de cinco milhões de dólares, a mais cara do cinema até então. Ganhou nove Oscar, incluindo o de melhor filme. Scarlett O`Hara personifica o próprio país: a personagem, economicamente destruída, devido a Guerra, consegue se reerguer; assim como o país, com sua economia arruinada pela quebra da bolsa em 1929, conseguiu se recuperar (o filme foi realizado em 1939, quando os Estados Unidos saia definitivamente da Grande Depressão). Racista, o filme mostra os escravos trabalhando felizes e retrata de forma positiva as organizações estilo Ku Klux Klan que surgiram após a Guerra. Um dos filmes mais ordinários e queridos da história do cinema.

A Guerra Civil ocorreu entre os Estados do Sul, agrários e escravistas, e os Estados do Norte, capitalistas e industrializados. A disputa era para estabelecer o modelo econômico hegemônico nos Estados Unidos. O norte era contra a escravidão porque isso limitava o seu mercado consumidor. Em fevereiro de 1861, os Estados do Sul, buscando manter o seu sistema, optam pela separação, formando os Estados Confederados da América. O presidente dos EUA, Abraham Lincoln, declara guerra, visando incorporar o sul novamente. Iniciou-se uma violenta guerra civil que durou de 1861 a 1865 e ficou conhecida como a Guerra da Secessão (Divisão). Os Estados do Norte tinham o dobro da população do Sul e um parque industrial capacitado a produzir milhares de armas. O sul quase não possuía armas e um terço da população era escrava. Para atrair os escravos, Lincoln aboliu a escravidão em 1863. As forças do norte acabaram se impondo. A guerra deixou um saldo de 600 mil mortos, um prejuízo de oito bilhões de dólares e ressentimentos que permanecem até hoje. O desfecho da guerra significou a vitória do projeto da burguesia do norte: a consolidação do capitalismo e a expansão industrial.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

El Cid




El Cid
El Cid. EUA, 1961, 184 minutos Direção: Anthony Mann. Elenco: Charlton Heston, Sophia Loren, Raf Vallone. Contexto histórico: a Guerra da Reconquista e a formação do estado espanhol. A Guerra da Reconquista significa a retomada da Península Ibérica – que os árabes invadiram no século VIII – pelos cristãos e a consolidação do catolicismo no ocidente. Rodrigo Dias de Vivar, El Cid, personagem mítico da história da Espanha, lutou contra os mouros no decorrer do século XI, obtendo grandes extensões de terra. O herói teria sido o único homem a ganhar uma batalha, mesmo morto, quando foi amarrado – já sem vida – a um cavalo para assustar os árabes. Sinopse: a história do mito ibérico, as batalhas para expulsar os mouros da Península Ibérica e formar a Espanha, a tentativa de conciliar cristãos e árabes contra os novos invasores vindos da África, a vida na corte, a fidelidade ao rei. Ponto forte: o filme é baseado no livro Poema de Cid, o mais conhecido do período medieval, onde os atos heróicos de El Cid foram registrados. A obra é composta de quase quatro mil versos e foi escrita por volta do ano 1100. Épico de boa qualidade, um dos melhores do período dos épicos de Hollywood.

Em Minha Terra



Em Minha Terra
In My Country. ING/IRL/AFR, 2004, 103 minutos. Direção: John Boorman. Elenco: Samuel Jackson, Juliette Binoche. Contexto histórico: o período pós-apartheid na África do Sul, governo de Nélson Mandela. O Apartheid era uma cruel política de segregação racial imposta aos negros por uma minoria branca que detinha 90% da riqueza do país. A polícia podia prender os negros sem uma acusação formalizada, o que favorecia a prática da tortura. O governo de Mandela determina a formação de fóruns para que os acusados de assassinato e tortura confrontem suas vítimas, as chamadas Comissão de Verdade e Conciliação, organizadas para investigar os abusos cometidos contra os negros. Após admitirem sua culpa, os torturadores e assassinos são anistiados de acordo com uma tradição nativa. As sessões da Comissão misturavam, de forma inusitada, justiça e religião. Sinopse: o filme acompanha o trabalho de dois jornalistas que estão cobrindo os depoimentos e possuem opiniões opostas sobre a anistia concedida pelo governo Mandela. Ponto forte: o filme trabalha a África do Sul pós-apartheid, nunca antes abordada no cinema. O caráter documental é ressaltado pelos depoimentos, reproduzidos do livro Country of My Skull, da jornalista Antjie Krog. A beleza das paisagens e a interpretação dos atores principais também se destacam na obra.


Um filme que indico para meus alunos é Em minha terra que retrata a África do Sul em 1995, contando a história fictícia de dois jornalistas que fazem a cobertura dos julgamentos dos crimes cometidos durante o Apartheid. Tem como pano de fundo a Comissão da Verdade e Reconciliação e através dos depoimentos, interrogatórios e julgamentos podemos conhecer melhor os atos de violência e crueldades cometidos nesse período. O filme é dirigido por John Boorman e tem nos papeis principais Samuel L. Jackson e Juliette Binoche com excelentes atuações. Geógrafa e historiadora Fernanda Surita Duarte

O Encouraçado Potemkin




O Encouraçado Potemkin
Bronenosets Potyomkim. URSS, 1925, 75 minutos. Direção: Sergei Eisenstein. Elenco: Aleksandr Antonov, Vladimir Barsky, Grigori Aleksandrov. Contexto histórico: a rebelião dos marinheiros do Encouraçado Potemkin, dentro dos protestos de 1905 contra o czar Nicolau, que havia jogado a Rússia em uma guerra desastrosa contra o Japão. Sinopse: descreve a revolta de marinheiros que sofriam todos os tipos de privações e ainda eram obrigados a comer carne estragada. Ponto forte: O filme segue os padrões do realismo socialista: o herói coletivo, a arte como elemento de conscientização e mobilização, o estereótipo dos personagens; mas ao mesmo tempo é tecnicamente audacioso e inovador. A obra tornou Eisenstein um dos principais cineastas da história do cinema.

A Era da Inocência




A Era da Inocência
L'Âge des Ténèbres. CAN, 2007, 104 minutos. Direção: Denys Arcand. Elenco: Marc Labrèche, Diane Kruger. Contexto histórico: a era contemporânea comparada ao período medieval. Sinopse: um cidadão comum imagina que é um grande astro, cercado de mulheres e dinheiro para compensar a vida vazia e a falta de atenção dos familiares. Ponto Forte: o título original do filme é A Idade das Trevas referindo-se ao período medieval. Na Idade Média, havia a ausência de vida urbana e o perigo de deslocamento entre feudos, devido à inexistência de um poder público que garantisse a segurança. As pessoas viviam de forma isolada. Segundo a visão do diretor, estamos retornando ao isolamento medieval, mas por outros motivos: a falta de comunicação, o esconderijo atrás das telas dos computadores, do som dos Ipods. Se na Idade Média não havia estradas, agora os engarrafamentos dificultam os deslocamentos. Se havia o isolamento pela distância, agora há o isolamento na proximidade, pois as pessoas não conversam com seu próximo, mas pelos celulares. Outras relações com o mundo medieval são feitas no decorrer do filme, como os árabes perseguidos por serem árabes, principalmente após o 11 de setembro. Essa perseguição lembra a grande dualidade medieval: cristãos versus mulçumanos. A ausência do estado medieval foi trocada por um estado que existe, mas não resolve nada, apenas mantêm uma burocracia ineficiente que finge resolver as questões dos cidadãos. A obra tem uma visão pessimista: na Idade Média, pelo menos, havia um objetivo claro, havia fé, cega ou não. Agora não temos mais objetivos e nenhum tipo de fé. Não é somente um filme, é quase uma tese sociológica. O filme fecha a trilogia do diretor canadense O Declínio do Império Americano (1986) e Invasões Bárbaras (2003), que discute de maneira intelectual os rumos da civilização ocidental. Imperdível.


Era uma vez na América


Era uma vez na América
Once upon a time in América. ITA/EUA, 1983, 236 min. Direção: Sergio Leone. Elenco: Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern. Contexto histórico: retrata três períodos da sociedade norte-americana: os anos de ouro da década de 20, após a primeira Guerra Mundial; os anos da grande depressão, após a quebra da bolsa e o estabelecimento da Lei Seca na década de 30; o auge da Guerra Fria, na década de 60. Sinopse: retrata o submundo de Nova Iorque, cada vez mais dominado pelo crime organizado e a ascensão econômica de uma gangue durante o período de vigência da Lei Seca. Ponto Forte: filme de gangster, ou seja, de crime organizado, que se configura em praticamente um gênero do cinema norte-americano, sendo um dos mais importantes, justamente por desmistificar esse gênero. Um verdadeiro épico com seis horas de duração (versão atual reduzida para quatro) e que custou trinta milhões de dólares. Reconstituição impecável de época. O roteiro é baseado em uma novela autobiográfica escrita por um ex-gângster. O filme faz uma analogia crítica: o mundo atual seria a concretização daquilo que os gângsteres planejaram na década de 30.