CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Amor sem Escalas


Amor sem Escalas
Up in the Air. EUA, 2009, 109 minutos. Direção: Jason Reitman. Elenco: George Clooney, Vera Farmiga. Contexto histórico: o atual contexto de desemprego, globalização e desumanização do mercado de trabalho. Sinopse: o protagonista tem como função comunicar aos funcionários que eles estão demitidos. A desumanização ocorre quando a empresa decide comunicar a demissão através da tela de um computador. O título original do filme vem do fato do protagonista praticamente “morar” dentro de um avião, devido as permanentes viagens de trabalho. Ponto Forte: mostra de forma didática, cinematográfica e ficcional, o lado mais desumano das atuais relações de trabalho. Paradoxalmente, mostra também o lado glamuroso do mundo corporativo: aeroportos, cartões de crédito, hotéis de luxo, cartões de milhagem e rápidas aventuras sexuais.

Ana e os Lobos




Ana e os Lobos
Ana y los Lobos. ESP, 1972, 102 minutos. Direção: Carlos Saura. Elenco: Geraldine Chaplin, Fernando Gómez, José Maria Prada, José Vivo. Contexto histórico: a Espanha dominada pelo fascismo. Sinopse: uma governanta, desejada por três irmãos (um místico, um militarista e um obsceno), submete-se de forma passiva aos caprichos deles, mesmo odiando fazê-lo. Ponto forte: brilhante metáfora da violência do franquismo sobre a Espanha. A família desajustada é uma alegoria da Espanha desajustada sob o domínio de Franco. Além disso, os personagens também representam grupos sociais e padrões de comportamento. Saura voltaria ao tema em 1979, com Mamãe Faz Cem Anos (Mamá Cumple Cien Años), uma espécie de continuação “descontinuada” de Ana e os Lobos, que retrata a transição para a normalidade democrática na Espanha com o rei Juan Carlos.

Antes que o Mundo Acabe




Antes que o Mundo Acabe
BRA, 2009, 97 minutos. Direção: Ana Luíza Azevedo. Elenco: Caroline Guedes, Murilo Grossi, Janaína Kremer, Pedro Tergolina, Bianca Menti. Contexto histórico: os processos ligados à informatização e a globalização coexistindo com elementos do passado que permanecem no cotidiano atual. Sinopse: um adolescente que mora em uma pequena cidade do interior gaúcho tenta lidar com todos os conflitos típicos dessa fase: o fim do namoro, as relações de amizade, a dificuldade de firmar uma personalidade estável. No caso do protagonista, a crise aumenta com a “descoberta” do pai biológico. Ponto Forte: a cidade representada no filme mistura elementos da tradição (o toque do sino da Igreja, a bicicleta como meio de transporte, a imagem da santinha que faz um rodízio pelas casas dos moradores, a criação de passarinhos) com elementos contemporâneos (a internet, o notebook, a banda de rock, a câmera digital). O pai do protagonista, que largou a família para ser correspondente de guerra e atua em uma organização que se chama Antes que o Mundo Acabe, enfatiza a importância de registrar as paisagens, os costumes, “os mundos” antes que eles acabem, antes que virem uma coisa só, através do esmagador processo de globalização em que tudo se torna semelhante ou igual.

Apocalypse Now (Redux)





Apocalypse Now (Redux)
Apocalypse Now (Redux). EUA, 1979, 202 minutos. Direção: Francis Ford Coppola. Elenco: Martin Sheen, Marlon Brando, Robert Durvall, Harrison Ford, Dennis Hopper. Contexto histórico: Guerra do Vietnã (1963-1975). Sinopse: um militar do exército norte-americano tem a missão de matar um colega desertor que teria enlouquecido, formado um exército paralelo com nativos e agindo “por conta própria”. Ponto forte: o número de filmes sobre a invasão norte-americana no Vietnã é tão expressivo que Guerra do Vietnã acabou virando um sub-gênero do gênero Filmes de Guerra. Desde os mais patrióticos, como Os Boinas-Verdes, com John Wayne, até os mais críticos, como o documentário Corações e Mentes. Porém, o mais clássico talvez seja Apocalipce Now, um épico sobre o caos, o horror, a inutilidade e a insanidade da Guerra do Vietnã. Uma guerra em que não se luta por honra ou ideologia, não se luta por nada (“Vocês americanos estão lutando pelo maior nada da história”). O sadismo e a arrogância dos soldados norte-americanos, perdidos e amedrontados, matando mulheres e crianças, sem ao menos saberem o objetivo de suas ações (“Acusar um homem de assassino neste lugar era como dar multas de velocidade na formula Indy”). Soldados ainda adolescentes “brincando” de guerra, drogados e sem comando em um Vietnã-hospício (“Ensinamos os soldados a matar, mas não permitimos que escrevam palavrões”). A loucura da guerra e o poder que a Guerra tem de enlouquecer quem dela participa (“Muitas vezes um militar no meio dos nativos se acha um Deus e confunde as coisas...”). Mais do que a violência retratada, o filme é assustador pela insanidade dos combatentes, pela falta de objetivos ou sentido de quem luta, pela falta de sentido da guerra em si. A guerra torna-se apenas para matar o inimigo (“os vietcongs só têm duas formas de voltar para a casa: a morte ou a vitória”). Destaca-se ainda o magistral uso da trilha sonora e a excelente representação da ocupação de um vilarejo por tropas americanas, comandadas por um insano tenente-coronel-surfista. Um road-movie pelo Vietnã dilacerado, transformado em um inferno pelos EUA. O filme consegue ser surrealista e realista ao mesmo tempo. Baseado no livro O Coração das Trevas, de Joseph Conrad. Ponto Fraco: o roteiro previsível e a atuação do protagonista Martin Sheen, que fica o filme inteiro com a mesma expressão vazia no rosto.

Genial e antológica criação de Francis Ford Coppola, Apocalipse Now, é considerado o melhor filme já realizado sobre a insanidade da Guerra do Vietnã.
Ao traçar um paralelo entre a loucura de um coronel do exército norte-americano, o coronel Kurtz, vivido por Marlon Brando, e a realidade do conflito, a obra-prima desfila uma sequência de situações inimagináveis, mas absolutamente verdadeiras, no trajeto seguido pelo capitão Wilard (Martin Sheen) pelos cenários do conflito rumo as fronteiras do Vietnã, onde tem a missão secreta de assassinar Kurtz. Com uma fotografia de tirar o fôlego, uma trilha sonora impecável e um conjunto de personagens poucas vezes vistos no cinema, o filme abriu mão de clichês ou sentimentalismos fáceis e tornou-se uma referência para aqueles que desejam aprofundar a compreensão sobre o mais longo dos conflitos da Guerra Fria. Historiador Marcelo Paiva.

Arca Russa






Arca Russa
Russkij Kovcheg. RUS, 2001, 97 minutos. Direção: Aleksandr Sokúrov. Elenco: Serguei Dreiden, Maria Kuznetsova, Leonid Mozgovói. Contexto histórico: a Rússia aristocrática pré-revolução comunista. Sinopse: inúmeros personagens da aristocracia se movimentam em um grande número de salas do Palácio de Ermitage, enquanto muitas alusões – de difícil compreensão para um espectador desavisado – à história da Rússia e expressivas metáforas são apresentadas na tela. Ponto forte: o filme se passa no interior do Palácio do Ermitage, residência de Catarina II, a Grande, construído a partir de 1750, na cidade de São Peterburgo, e atualmente transformado em museu (foto). Aliás, o personagem principal do filme é o próprio Palácio. O diretor usa basicamente dois recursos técnicos: o uso da câmera subjetiva, quando a lente torna-se o olho do espectador, e um único plano seqüência do início ao fim, sem nenhum tipo de corte ou montagem, ou seja, o filme tem apenas uma cena de 97 minutos. A única ruptura é a definitiva, quando a narrativa termina. Provavelmente, esse recurso é uma metáfora da grande ruptura que representou a Revolução Bolchevique na história da Rússia, finalizando a era dos czares e estabelecendo o comunismo. A película termina com um grande baile, enquanto a câmera dança junto com os aristocratas, lembrando muito o filme O Leopardo, de Visconti.

Arca Russa

Arca Russa
Russkij Kovcheg. RUS, 2001, 97 minutos. Direção: Aleksandr Sokúrov. Elenco: Serguei Dreiden, Maria Kuznetsova, Leonid Mozgovói. Contexto histórico: a Rússia aristocrática pré-revolução comunista. Sinopse: inúmeros personagens da aristocracia se movimentam em um grande número de salas do Palácio de Ermitage, enquanto muitas alusões – de difícil compreensão para um espectador desavisado – à história da Rússia e expressivas metáforas são apresentadas na tela. Ponto forte: o filme se passa no interior do Palácio do Ermitage, residência de Catarina II, a Grande, construído a partir de 1750, na cidade de São Peterburgo, e atualmente transformado em museu (foto). Aliás, o personagem principal do filme é o próprio Palácio. O diretor usa basicamente dois recursos técnicos: o uso da câmera subjetiva, quando a lente torna-se o olho do espectador, e um único plano seqüência do início ao fim, sem nenhum tipo de corte ou montagem, ou seja, o filme tem apenas uma cena de 97 minutos. A única ruptura é a definitiva, quando a narrativa termina. Provavelmente, esse recurso é uma metáfora da grande ruptura que representou a Revolução Bolchevique na história da Rússia, finalizando a era dos czares e estabelecendo o comunismo. A película termina com um grande baile, enquanto a câmera dança junto com os aristocratas, lembrando muito o filme O Leopardo, de Visconti.

Arquitetura da Destruição




Arquitetura da Destruição
Unterganges Arkitektur. SUE, 1991, 121 minutos. Direção: Peter Cohen. Documentário sobre as concepções artísticas e arquitetônicas de Hitler que busca demonstrar que a arte e a estética eram parte importante do programa ideológico nazista. Ou seja, o nazismo buscava se impor não apenas pelo seu aparato repressivo, mas também pela sua produção artística-cultural. O nazismo condenou a Arte Moderna (abstrata, de vanguarda) classificando-a como “arte degenerada” e “arte de judeus”, assim como estabeleceu uma arte “pura, limpa e alemã”, baseada na arte clássica e monumental. O filme parte do princípio de que Hitler foi um artista frustrado, que se incumbiu da missão de “purificar” não só a raça, mas também as artes, criar uma arte nova para um novo homem, “refazer a estética do mundo”. Narrativa clara e direta. O filme apresenta-se como uma espécie de história da estética nazista.