CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Alexandre




Alexandre
Alexander. EUA, 2004, 176 minutos. Direção: Oliver Stone. Elenco: Colin Farrel, Val Kilmer, Angelina Jolie, Christopher Plummer, Anthony Hopkins, Jared Leto, Connor Paolo. Contexto histórico: a vida e as conquistas militares do imperador macedônico Alexandre, o Grande, no Século IV a.C. Alexandre foi o primeiro a conseguir juntar Ocidente e Oriente em um mesmo Império, criando uma cultura única, como forma de dominação dos diversos povos. A cultura helenística fundia elementos religiosos do oriente com elementos racionais do ocidente. A idéia era: um império, um rei, uma cultura. Alexandre percebeu que a melhor forma de dominar um povo, aquela mais contínua e discreta, é através da cultura, quando o dominador impõe a sua cultura sobre o dominado. Sinopse: retrata a vida de Alexandre, com destaque para as suas conquistas militares e relações pessoais, principalmente com a mãe Olímpia. Ponto Forte: a fidelidade histórica, a vida e a trajetória militar do imperador macedônio. A coragem de não ocultar Hefestião, companheiro de Alexandre, e a reconstituição das batalhas e das estratégias militares. Na verdade, o filme se detém nas conquistas militares e faz uma exaltação do expansionismo territorial promovido por Alexandre (não podemos esquecer que o diretor é norte-americano!). Stone consegue colocar por três vezes em cena – sempre de forma discreta e bem inserida – o mapa do mundo antigo, tornando a obra bastante didática. Apesar da acusação de criar uma história excessivamente edipiana, por ressaltar em demasia a relação entre Alexandre e sua mãe – pois chega ao exagero de mostrar as conquistas militares como a forma que Alexandre encontrou para ficar longe da dominadora Olímpia –, o filme constrói um personagem fascinante e muito próximo do real. Imperdível.

Alexandre, o Grande


Alexandre, o Grande
Alexander the Great. EUA/ESP, 1956, 135 min. Direção: Robert Rossen. Elenco: Richard Burton, Fredric March, Danielle Darrieux, Claire Bloom. Sinopse: o filme narra desde a adolescência de Alexandre até a sua vitória na Pérsia (331 a.C.). Ponto forte: épico típico do período, com milhares de figurantes e excelente elenco. Mostra a vida tumultuada de Alexandre, a relação com o professor Aristóteles e com os pais. Aparecem também algumas inovações militares do período, como o uso de lanças mais compridas. O filme se detém, excessivamente, no personagem Alexandre, como o único gerador da expansão macedônica e, além disso, os diálogos são exageradamente eloqüentes (“É muito bom viver com coragem”).


A letra da canção Alexandre, de Caetano Veloso é precisa nas informações e, ainda assim, extremamente poética, com ricas figuras de linguagem. A gravação original está no CD intitulado Livro, de 1997. Outra opção é a gravação de Adriana Calcanhoto, no CD Partimpim II, de 2009, onde a canção foi “limpada”, a cantora simplificou ao máximo a melodia, dando destaque especial à letra:

“Ele nasceu no mês do leão,
sua mãe uma bacante
E o rei seu pai,
um conquistador tão valente,
que o príncipe adolescente pensou que já nada restaria
pra, se ele chegasse a rei, conquistar por si só.
Mas muito cedo ele se revelou um menino extraordinário:
O corpo de bronze,
os olhos cor de chuva
e os cabelos cor de sol.

Alexandre... de Olímpia e Felipe
o menino nasceu, mas ele aprendeu
que seu pai foi um raio
que veio do céu

Na grande batalha de Queronéia,
Alexandre destruía a esquadra Sagrada de Tebas,
chamada Invencível.
Aos dezesseis anos,
só dezesseis anos, assim já exibia
Toda a amplidão da luz
do seu gênio militar.[...]
Feito rei aos vinte anos
Transformou a Macedônia,
Que era um reino periférico, dito bárbaro,
em esteio do helenismo e dos gregos, seu futuro,seu sol”.

Alexandre Nevsky


Alexandre Nevsky
Aleksandr Nevsky. URSS, 1938, 112 minutos. Direção: Sergei Eisenstein e Dmitri Vasilyev. Elenco: Nikolai Cherkasov, Nikolai Okhlopkov, Andrei Abrikosov. Contexto histórico: no início do século XIII, a Rússia é invadida e saqueada por invasores germânicos (teutônios e tártaros). Sinopse: o príncipe Aleksandr Nevsky, mesmo que relutante e instável, lidera a resistência russa à invasão territorial. Ponto forte: uma das poucas obras cinematográficas a retratar a Rússia medieval. Stalin pretendia utilizar o filme como alerta para o perigo de uma invasão alemã. No entanto, quando ele foi lançado já não interessava mais a Stálin, pois este estava negociando com Hitler o pacto de não-agressão, que seria assinado em 1939. Porém, após o não cumprimento do tratado por Hitler e da invasão da Rússia pela Alemanha, em 1941, Stálin obrigou a exibição do filme em todos os cinemas da URSS para inflamar a resistência soviética. A narrativa é lenta e os diálogos ingênuos, mas a beleza das cenas compensa esses defeitos, principalmente a cena da batalha entre russos e teutônicos sobre um lago congelado.

Amém



Amém
Amem. FRA/ALE/ROM/EUA, 2002, 130 minutos. Direção: Costa-Gavras. Elenco: Ulrich Tukur, Mathieu Kassovitz. Contexto histórico: o nazismo e suas práticas desumanas, principalmente o extermínio dos judeus nos campos de concentração. Sinopse: Um oficial da SS, polícia nazista, desenvolve um produto que torna mais eficiente à limpeza dos tanques de água, mas descobre que sua criação está sendo utilizada para matar judeus nos campos de concentração. Perturbado com a revelação, ele passa a lutar para denunciar o extermínio, auxiliado por um jovem padre jesuíta. Eles não conseguem nem o apoio do papa e nem da alta cúpula da igreja. A desesperada luta dos dois protagonistas e o final trágico de ambos transforma-os em heróis de uma verdadeira tragédia clássica. Ponto forte: didático como todo filme de Costa-Gavras, a película busca mostrar a omissão da Igreja católica – e também da protestante – quanto às práticas nazistas e os campos de concentração, principalmente em relação ao extermínio dos judeus. “A Igreja é feita de paciência”, fala um cardeal justificando a omissão da instituição.

O Americano Tranqüilo



O Americano Tranqüilo
The Quiet American. EUA/ALE, 2002, 100 minutos. Direção: Philip Noyce. Elenco: Michael Caine, Brendan Fraser, Do Thi Hai Yen. Contexto histórico: durante os anos 50, em Saigon, no Vietnã, sob domínio francês, diversos grupos lutam pela libertação do país. O filme mostra interesses internacionais, principalmente dos norte-americanos na região. Sinopse: o drama conta a história de um experiente correspondente de guerra que se envolve com a cidade de Saigon e com uma bela jovem vietnamita, que o abandona por ser casado, optando por outro americano, um agente da CIA recém chegado no país. Ponto forte: um filme de mistério, que demonstra o intervencionismo norte-americano na região e a ambigüidade moral das relações humanas. Adaptação do livro homônimo de Graham Greene. O escritor viveu no Vietnã entre 1952 e 1957, como correspondente estrangeiro do jornal The Times. Destaque para a brilhante atuação de Caine e para as belas imagens da cidade de Saigon. Há uma versão mais antiga do filme, com o mesmo título, de 1957.


Amistad


Amistad
Amistad. EUA, 1997, 154 minutos. Direção: Steven Spielberg. Elenco: Morgan Freeman, Anthony Hopkins, Djimon Hounson, Matthew McConaughey. Contexto histórico: a disputa ideológica entre o norte capitalista e o sul agrário escravista em meados do século XIX, alguns anos antes da Guerra Civil (1861-1865). Os estados do norte defendiam o final da escravidão por questões econômicas e não humanitárias. O norte era capitalista, industrializado e voltado para o mercado interno, necessitava de consumidores. Os escravos, por não receberem salários, não consumiam “nem uma agulha” durante toda a sua vida. A escravidão era um entrave para a implantação do capitalismo no país, sistema baseado na produção e na venda de mercadorias. Sinopse: o enredo acontece a partir de um episódico específico, um navio negreiro espanhol, onde havia ocorrido uma rebelião de escravos, é capturado na costa americana com 53 negros ainda vivos. A questão central do filme é qual deveria ser o destino desses escravos? A história, que se passa duas décadas antes da Guerra de Secessão, retrata o longo processo entre o norte abolicionista e o sul escravista para resolver o destino desses negros. A questão gira em torno do julgamento: os negros lutaram pela sua liberdade ou agiram como assassinos. Segue uma longa batalha judicial, enquanto os negros buscam apenas voltar para a África. Ponto Forte: o filme aborda duas questões: liberdade e justiça (no sentido de sistema judicial), entrelaçadas. Baseado em fatos verídicos. É interessante salientar que as imagens de Amistad evocam o poema Navio Negreiro, de Castro Alves.

“Dentre as muitas cenas do filme Amistad, destaca-se a que recria o processo de sociabilidade entre os integrantes das diferentes tribos africanas. Cada um possui um dialeto específico da cultura tribal, fator que impossibilita a comunicação. Na cena em que mostra esta realidade não existe tradução, transmitindo ao espectador a sensação vivida pelos personagens. Uma grande sacada do diretor.” Historiadora Clarisse Ismério.




Amor e Sedução


Amor e Sedução
Ju Dou. CHI, 1989, 95 minutos. Direção: Zhang Yimou. Elenco: Gong Li, Li Wei, Zhang Li. Contexto histórico: as perversas tradições culturais em relação as mulheres no interior da China no início do século XX. Sinopse: jovem comprada por comerciante idoso, dono de uma tinturaria, para ser a sua esposa, é espancada pelo ele por não conseguir engravidar. Porém, ela não engravida porque o seu esposo não consegue manter relações sexuais. Ele a espanca para que ninguém no lugarejo descubra a verdade: sua impotência. Temendo a morte, ela pede ao sobrinho do marido para engravidá-la. O sobrinho reluta entre a fidelidade ao tio ou salvar a vida da jovem, por quem está apaixonado. Cedendo a sua paixão, ele engravida-a. No entanto, a vida da protagonista ainda corre perigo, pois ela morrerá como castigo, caso o bebê não seja do sexo masculino. O final é surpreendente e trágico. Ponto forte: denuncia o sofrimento imposto às mulheres pelas tradições chinesas. Excelente enredo. Um drama completamente diferente dos filmes ocidentais. Imperdível.