CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

terça-feira, 26 de abril de 2011

Milk – A Voz da Igualdade




Milk – A Voz da Igualdade
Milk. EUA, 2008, 128 minutos. Direção: Gus Van Sant. Elenco: Sean Penn, Emile Risch, Diego Luna. Contexto histórico: a luta dos homossexuais pelos direitos políticos nos Estados Unidos da década de 70. Sinopse: o filme descreve a curta carreira política do ativista Harvey Milk pelos direitos civis dos homossexuais nos Estados Unidos. Em 1977, Milk venceu uma eleição para o Conselho Municipal de São Francisco, tornando-se o primeiro homossexual assumido a ocupar um cargo público diretivo nos EUA. Participou de debates em defesa dos direitos dos homossexuais, até ser assassinado em 1978. Ponto forte: recupera a luta dos homossexuais pelos seus direitos na cidade que criou o dia do orgulho/parada gay e o trabalho de um ativista político pouquíssimo conhecido. Apesar de ser uma narrativa biográfica, não idealiza o retratado.


A Missão
The Mission. ING, 1986, 126 minutos. Direção: Roland Joffé. Elenco: Robert de Niro, Jeremy Irons, Ray McAnally, Aidan Quinn. Contexto histórico: as Missões jesuíticas (também chamada reduções) na América do Sul dos séculos XVII e XVIII e as trágicas conseqüências do tratado de Madri (1750) para índios e jesuítas. Sinopse: jesuíta espanhol responsável por uma missão na América do Sul luta contra a escravização dos indígenas, sendo ajudado por um ex-comerciante de escravos convertido. Ponto forte: a obra mostra, mesmo que de forma idealizada, o cotidiano de uma missão jesuítica e o choque entre a idéia de universalidade dos jesuítas e o autoritarismo do Estado espanhol. A relação entre as diferenças culturais permeia todo o filme, infelizmente sobre um ponto de vista europeu. O filme faz uma analogia com o presente, pois transporta para o século XVIII preceitos da Teologia da Libertação. Venceu o festival de Cannes.

Missing, o Desaparecido



Missing, o Desaparecido
Missing. EUA, 1982, 122 minutos. Direção: Costa-Gravas. Elenco: Jack Lemmon, Sissy Spacek, Melanie Mayron, John Shea. Contexto histórico: as violências físicas ocorridas durante a ditadura militar de Pinochet no Chile. Sinopse: um pai busca pelo filho desaparecido durante a ditadura chilena. O pai é o engenheiro americano Edmund Horman que vai ao Chile à procura do filho, um jovem jornalista norte-americano, assassinado pelas forças de repressão. Ponto forte: a forma humanizada de retratar as dores provocadas pela ditadura no Chile, através da procura incansável e desesperada de um pai. Gravas costuma misturar dramas pessoais com acontecimentos históricos em seus filmes políticos. O diretor buscou mostrar a omissão – conivência? – dos Estados Unidos diante das atrocidades do período Pinochet. Excelente atuação de Jack Lemmon que ganhou melhor ator em Cannes, onde o filme obteve a Palma de Ouro. Baseado em uma história real.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mississipi em Chamas



Mississipi em Chamas
Mississippi Burning. EUA, 1988, 128 minutos. Direção: Alan Parker. Elenco: Gene Hackman, Willem Dafoe e Frances McDormand. Contexto histórico: atuação da Ku Klux Klan nos anos 60, o racismo no Sul dos Estados Unidos. Retrata o período que ficou conhecido como verão da liberdade, quando centenas de jovens engajados chegavam ao sul para cadastrar os negros como eleitores. Sinopse: o filme apresenta três ativistas dos direitos civis que são assassinados no Mississipi, o estado mais racista dos EUA, no ano de 1964. Dois agentes do FBI (Polícia Federal) chegam ao local para investigar o caso e toda a cidade parece conspirar contra a investigação. Uma onda de atos violentos contra os negros é promovida. Ponto forte: Mississipi em Chamas é o filme mais popular a mostrar os horrores da Ku Klux Klan, somente isso já seria um mérito. Mas o filme vai além, se reveste de um caráter de suspense que prende o telespectador até o último minuto, graças à precisão do seu roteiro e a atuação brilhante do elenco. A crítica que se faz, de que “são brancos” (os agentes) resolvendo as questões de negros e que os negros “sempre aparecem amedrontados” é injusta, há cenas de negros que enfrentam todo o poder público, controlado pela elite branca racista, inclusive nos tribunais, e aparece uma passeata organizada pelos negros. Mas o maior mérito do filme é a caracterização dos membros da Ku Klux Klan e a vinculação deles com o poder público.

Curiosidade: Um ano antes dos assassinatos, em 1963, noventa mil negros do Mississipi foram às urnas mostrando o desejo de mudança, apesar dos incêndios, da ameaças e das torturas que sofreram. Curiosidade II: Em 2005, 41 anos depois do ocorrido, um ex-integrante da KKK, Edgar Killen, aos 80 anos, foi declarado culpado pela justiça pelo assassinato destes três jovens. Curiosidade III: Ironicamente, Parker recebeu o prêmio D.W. Griffith do National Board pela direção. Griffith é o diretor do filme racista O Nascimento de uma Nação, de 1915.

O Nascimento de uma nação
The Birth of a Nation. EUA, 1915, 190 minutos. Direção: David Wark Griffith. Épico racista que defende a Ku Klux Klan como a solução para manter a unidade política dos Estados Unidos, ameaçada pela Guerra Civil. Os escravos e os abolicionistas são apresentados como os culpados pela destruição do país, enquanto os membros da KKK aparecem como heróis, como cruzados modernos. Griffith era sulista. O filme foi a primeira grande produção do cinema norte-americano. Os negros são representados por atores brancos com o rosto pintado.

A Ku Klux Klan é uma sociedade secreta do sul dos Estados Unidos que defende a supremacia branca protestante. A organização foi fundada por ex-combates do exército sulista, derrotados na Guerra Civil, no Estado do Tennessee, em 24 de dezembro de 1865. O sul estava destruído e o desemprego era a regra. O objetivo era impedir a integração dos negros recém libertos à sociedade, impedi-los de ter propriedades, de votar e de estudar. O nome é uma junção da palavra Kuklos (circulo em grego) e a palavra Clan (Clã). O dever sagrado dos seus membros é manter superioridade da raça branca: “O criador quis nos dar, sobre as raças inferiores, um poder que nenhuma lei humana pode nos retirar”. A organização promoveu diversos atos bárbaros contra negros: chibatadas, enforcamentos, destruição de propriedades. Para impedir a instrução dos negros, os professores que ensinavam negros eram intimidados. No Mississipi, escolas foram incendiadas e professores assassinados. Em 1871, a organização chegou a assassinar um senador. Graças a esse ato a organização foi colocada na ilegalidade, considerada uma sociedade terrorista e combatida pela ordem pública. Porém, em 1915 ela ressurge com mais força, impulsionada pelo lançamento do filme racista O Nascimento de uma Nação. O pastor metodista Willian Simmons, do Alabama, após assistir o filme, decide reorganizar a KKK. Esse foi o auge da organização, chegando a atingir quatro milhões e meio de membros em 1920. Quatro anos depois ela elegeu 11 governadores e vários senadores. Em 1925 conseguiu a aprovação de uma lei que restringia a entrada de imigrantes, além de ter organizado um gigantesco desfile na capital do país e ter aumentado a sua crueldade nas ações contra os negros. Nos anos 40 iniciou seu declínio, quando deixou de ser uma organização popular, devido à mudança de mentalidade e a participação dos negros no exército americano durante a Segunda Guerra. Durante a Guerra Fria, os klanistas tentam “reciclar” sua ideologia, incluindo os comunistas entre os perseguidos. Atualmente estão unidos aos neonazistas devido à semelhança ideológica e sua última aparição pública foi em um protesto contra a eleição de Barack Obama em 2009.

Mundo Novo



Mundo Novo
Nuovomondo. ITA/FRA, 2006, 120 minutos. Direção: Emanuele Crialese. Elenco: Charlotte Gainsbourg, Vincenzo Amato, Francesco Casisa. Contexto histórico: retrata a grande imigração italiana para a América no século XIX. A imigração dos europeus era vista como uma válvula de escape para diminuir a tensão social das grandes cidades européias. A miséria, o desemprego e a marginalização transformavam as cidades européias em um barril de pólvora. Os governantes europeus passaram a incentivar a ida da sua população mais pobre para outros países, principalmente para a América. Entre 1830 e 1930, cerca de 11 milhões de europeus vieram para o continente americano. Desses, 38% eram italianos. Sinopse: Família muito pobre da Sicília que sonha em migrar para a América; vende o quase nada que possuíam e cruzam o oceano. Desembarcam em Nova York, onde precisam cumprir um período de quarentena antes de entrar no país. Analfabetos e sonhadores, passam por todo o tipo de dificuldades no Novo Mundo.

Na Natureza Selvagem



Na Natureza Selvagem




Into the Wild. EUA, 2007, Direção: Sean Penn. Elenco: Emile Hirsch, William Hurt, Hal Holbrook. Contexto histórico: atual. Sinopse: rapaz de classe média alta abandona todas as benesses da sua condição social e opta por torna-se um andarilho. Pretendia ficar isolado no Alasca, vivendo apenas dos recursos naturais, como um “caçador-coletor” pré-histórico. Acabou morrendo por estar despreparado para a missão. Ponto forte: discute a questão civilizatória, a oposição entre natureza e civilização, o domínio da natureza pelo homem (sobrevivência) e o domínio do homem pela natureza (morte). A obra apresenta o ideal maravilhoso, e ao mesmo tempo, perigoso de aventurar-se em meio à natureza, e a necessidade de solidão. Em última análise apresenta, concomitantemente, a dificuldade da vida em sociedade e a dificuldade da vida fora da sociedade. Baseado em uma história real