CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Guerra dos Pelados



A Guerra dos Pelados
BRA, 1970, 98 minutos. Direção: Sylvio Back. Elenco: Átila Lório, Jofre Soares, Stênio Garcia, Otávio Augusto. Contexto histórico: rebeliões da República Velha, mais especificamente a Guerra do Contestado (1912-1916), a rebelião messiânica ocorrida em Santa Catarina, liderada pelo profeta José Maria. O motivo é a miséria em que viviam os colonos da região. O governo brasileiro cedeu a uma empresa estrangeira a região de onde os colonos tiravam seu sustento através do corte da madeira, transformando-os de pobres em miseráveis. A resistência dos colonos provocou a Guerra. Sinopse: o filme reproduz uma das batalhas da Guerra do Contestado, realizada em 1913, e que teve a vitória do exército brasileiro. Ponto Forte: a obra discute questões como miséria, violência social, religiosidade e a posse da terra. Cuidadosa reconstituição das batalhas. Quando presos, os rebeldes tinham a cabeça raspada, por isso, Guerra dos pelados. Baseado em pesquisa e no romance Geração do Deserto, do catarinense Guido Wilmar Sasi. Filme censurado no governo Médici. Bela tentativa de construir um épico brasileiro.

A Hora da Estrela



A Hora da Estrela
BRA, 1985, 96 minutos. Direção: Susana Amaral. Elenco: Marcélia Cartaxo, José Dumont, Fernanda Montenegro. Contexto histórico: o Brasil do milagre econômico, ditadura militar, período da grande migração para o “sul maravilha”, nordestinos em busca de trabalho nas indústrias do sudeste. Sinopse: o filme mostra o cotidiano de uma jovem nordestina semi-analfabeta chamada Macabéa em São Paulo. O companheiro mais íntimo dela é o seu radinho de pilha, até que ela conhece um metalúrgico, também nordestino, com quem inicia um desajeitado romance. Ponto forte: esse é o filme que melhor reproduz o drama dos nordestinos recém-chegados aos grandes centros urbanos na onda de migração da década de 70 incentivada pelo Regime Militar. Baseado e bastante fiel ao romance homônimo de Clarice Lispector. O filme recebeu prêmios nos festivais de Berlim, Havana e Brasília. A atriz Marcélia Cartaxo venceu o prêmio de melhor atriz em Cannes.

O Incrível Exército de Brancaleone




O Incrível Exército de Brancaleone
L’armada Brancaleone. ITA, 1965, 116 minutos. Direção: Mario Monicelli. Elenco: Vittorio Gassman, Gian Maria Volonté, Catherine Spaak. Contexto histórico: período da Baixa Idade Média (X-XV). Sinopse: o filme narra a longa jornada de um exército miserável e desorganizado que parte para conquistar um feudo, liderados por um cavaleiro-nobre falido, Brancaleone de Nórcia, cujo a única propriedade é um cavalo que não o obedece. Ponto forte: apesar de ser uma comédia, é um excelente retrato da Idade Média, por brincar com as crenças, os costumes, os rituais e com os mitos do período: o medo da Peste Negra, a fome, os judeus heréticos, o fanatismo religioso, os cruzados, os códigos de cavalaria. Imperdível.
Brancaleone nas Cruzadas
ITA, 1970, 119 minutos. Direção: Mario Monicelli. Elenco: Vittorio Gassman, Adolfo Celi. Contexto histórico: período da Baixa Idade Média. Sinopse: nessa segunda aventura, Brancaleone tem a missão de conduzir um bebê que havia sido raptado até a Terra Santa. No caminho encontra bizarros personagens: um eremita, uma bruxa, um leproso e a própria figura da morte. Ponto forte: estrutura similar ao primeiro, porém, essa continuação é centrada na sátira do fanatismo religioso: fogueiras, bruxarias, inquisição e a busca do cálice sagrado. Inferior ao filme original.

A Insustentável Leveza do Ser



A Insustentável Leveza do Ser
The Unbearable Lightness of Being. EUA, 1988, 171 minutos. Direção: Philip Kaufman. Elenco: Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. Contexto histórico: a invasão da Tchecoslováquia por tropas da União Soviética em agosto de 1968 para acabar com o movimento conhecido como Primavera de Praga, um amplo programa de reformas políticas, econômicas e sociais, como a eliminação da censura. Sinopse: o filme mostra a relação idílica entre uma expansiva artista plástica, uma ensimesmada garçonete e um jovem médico bem sucedido, que é interrompida quando tropas soviéticas invadem a cidade de Praga. Ponto forte: o drama consegue misturar sexo, política, traição, repressão institucionalizada, liberdade e filosofia. Baseado no livro clássico de Milan Kundera, autor tcheco dissidente, que crítica o comunismo soviético. Mesmo com a violência da invasão, a paixão continua, os sentimentos humanos continuam, por mais pesada que seja a violência, a “insustentável leveza do ser” é perene. Destaque para as cenas onde as imagens dos atores são misturadas com imagens reais da ocupação de Praga (foto). Embora a produção seja norte-americana, o filme é tipicamente europeu.

Jango


Jango
BRA, 1984, 110 minutos. Direção: Sílvio Tendler. Documentário que mostra a trajetória de João Goulart, enfatizando o período de 1961 até o Golpe Militar de 1964. O presidente Jânio Quadros renuncia a presidência em 25 de agosto de 1961 e, segundo a constituição vigente quem deveria assumir era o vice João Goulart. Acontece que Jango era classificado como comunistas pelas forças armadas que impedem a sua posse. Os ministros militares declaram estado de sítio com a finalidade de impedir a posse. O Rio Grande do Sul organiza o movimento da Legalidade, uma resistência armada contra a tentativa de golpe. Estava gerada uma grande crise e uma ameaça real de guerra civil. A solução para o impasse foi Goulart assumir a presidência com poderes limitados, devido à adoção do parlamentarismo, através de uma emenda constitucional. O Brasil retornaria ao presidencialismo, dois anos depois, quando Jango sai vitorioso de um plebiscito popular. O filme é narrado por José Wilker e contem imagens raríssimas: o enterro de Getúlio, Jango na China, as barricadas nas ruas de Porto Alegre, o comício da central do Brasil e os filmes produzidos pelo IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) contra o governo Goulart.

Os filmes do IPES: sob o pretexto de proteger o Brasil da “ameaça comunista", leia-se das Reformas de Base, o IPES, ao longo de dois anos, trabalhou para desestabilizar o governo Goulart. A ação do Instituto foi decisiva para o sucesso do golpe militar. A organização inicia em agosto de 1961, devido à chegada do comunismo na América com a Revolução Cubana. Um grupo de “empresários e democratas para o progresso” reuniu-se “cônscios de sua responsabilidade na vida pública do país”. (frases retiradas da ata de fundação do Instituto). Os filmes produzidos pelos IPES, dirigidos pelo cineasta Jean Manzon e com roteiros do escritor Rubem Fonseca, eram exibidos nos cinemas antes do filme principal e destacavam “o caráter ateu do comunismo e a ameaça contra a família e a propriedade”. Os curta, de cerca de 10 minutos cada, mostravam imagens chocantes que misturavam nazismo, stalinismo e o governo Goulart: “O que estamos fazendo nós para impedir que se coloque diante do povo brasileiro a trágica opção entre soluções antidemocráticas? A omissão é um crime. Isolados seremos esmagados. Somemos nossos esforços. Orientemos num sentido único a ação dos democratas para que não sejamos vítimas do totalitarismo”.

O Jardineiro Fiel




O Jardineiro Fiel
The Constant Gardener. ING, 2005, 129 minutos, censura 14 anos. Direção: Fernando Meirelles. Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Daniele Harford. Contexto histórico: atual, a miséria e a exploração do continente africano. Sinopse: o filme mostra uma ativista dos direitos humanos que é encontrada morta no Quênia. O marido, um diplomata inglês, investiga o que aconteceu com a esposa, supostamente infiel. Ponto forte: Ficção com técnica documental que denuncia a indústria farmacêutica e a contínua devastação do continente africano: agora já não são apenas as riquezas naturais que são roubadas pelos europeus, mas vidas humanas, usadas como “cobaias”. Baseado em livro de John Le Carré. O filme mistura política e sentimentos pessoais na medida certa, e denuncia a perversidade da ação das grandes corporações na África.

Joana D’arc


Joana D’arc
The Story of Joana of Arc. EUA, 1999, 155 minutos. Direção: Luc Besson. Elenco: Milla Jovovich, Dustin Hoffman, Faye Dunaway. Contexto histórico: Guerra dos Cem anos entre França e Inglaterra (1337-1453). Foi a partir desse conflito que se formaram os dois países. Sinopse: A história da camponesa analfabeta que comandou o exército francês na Guerra dos Cem Anos, inspirou a unidade da França e acabou
queimada na fogueira da inquisição, aos 19 anos de idade. Ponto forte: a narrativa simples, de forma direta e cronológica. Boa reconstituição de época.