CINEMA E HISTÓRIA

CINEMA E HISTÓRIA

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Chico Rei


Chico Rei
BRA, 1986, 115 minutos. Direção: Walter Lima Júnior. Elenco: Severino d’Acelino, Antonio pitanga, Carlos Kroeber, Cláudio Mazo. Contexto histórico: Brasil colônia, século XVIII, o século do ouro no Brasil. Sinopse: um chefe tribal é trazido da África para o Brasil em um navio negreiro, tornando-se escravo, mas consegue obter a liberdade através da extração do ouro. No final, Chico Rei passa a liderar a população negra da região e torna-se o primeiro negro a ter propriedade no Brasil. Ponto forte: a exploração do ouro possibilitava ao escravo, pela primeira vez no Brasil, comprar a sua liberdade, a partir de uma determinada quantidade de ouro por ele encontrado. O objetivo era incentivar o duro trabalho na região aurífera: longa jornada, pouca comida, poucas horas de sono. Os donos de escravos estabeleciam uma quantidade de ouro em troca da alforria. A quantidade era altíssima e a maioria morria antes de atingi-la. Os negros que conseguiam comprar a liberdade seguiam trabalhando na exploração do ouro, só que por conta própria (faiscadores), por isso Minas Gerais possui, ainda hoje, a terceira maior população negra do Brasil. É o único filme que mostra esse mecanismo surgido com exploração do ouro na região das minas. O filme é ambientado na cidade de Ouro Preto (Vila Rica). Destaque para a música de Milton Nascimento e Wagner Tiso.

O artista francês Jean Baptiste Debret é o nosso “olhar” do Brasil colônia, em uma época em que não havia ainda a fotografia, seus registros visuais são praticamente os únicos do período. Entre os mais variados temas Debret se dedicou mesmo foi ao registro da escravidão. A escravidão já havia sido extinta na Europa mas para as colônias os europeus utilizavam o trabalho escravo. Debret permaneceu quinze anos no Brasil, retratando o cotidiano da sociedade brasileira de forma realista e direta em 153 quadros. O quadro ao lado chama-se “Carregadores de café a caminho da cidade”.

Chove em Santiago




Chove em Santiago



Il Pleut sur Santiago.BULGÁRIA/FRA, 1975, 110 minutos. Direção: Helvio Soto. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Annie Girardot, John Abgey. Contexto histórico: o golpe militar de 11 de setembro no Chile, quando o governo da Unidade Popular, liderado por Salvador Allende estava isolado. O governo socialista havia promovido uma série de nacionalizações, um amplo programa de reformas sociais, limitado o lucro das multinacionais e promovido ampla distribuição de terra. Como reação, a elite conservadora do Chile e grupos norte-americanos cortaram créditos externos, incentivaram a paralisação de categorias profissionais, provocando falta de alimento, gasolina e serviços básicos. Sinopse: retrata os últimos dias do governo Allende, mostrando que esse chegou ao poder, mas não conseguiu dominar o aparelho burocrático-militar do Estado. Ponto Forte: a força das imagens e a emoção da narrativa. O filme foi rodado na Bulgária, onde o diretor estava exilado. Música de Astor Piazolla.

Cinema, Aspirinas e Urubus




Cinema, Aspirinas e Urubus
BRA, 2005, 101 minutos, 14 anos. Direção: Marcelo Gomes. Elenco: João Miguel, Peter Ketnath. Contexto histórico: a inserção do Brasil na modernidade durante a Segunda Guerra Mundial. O sertão na década de 40, no interior de Pernambuco. Sinopse: alemão vem para o Brasil com dois objetivos: fugir da guerra e vender aspirinas. Ele utiliza um pequeno caminhão carregado de aspirina e filmes para divulgação do produto O remédio é completamente desconhecido na região. Para conseguir vender o remédio, o alemão usa o cinema, mostrando comerciais do produto. Cinema improvisado, montado na rua, com uma tela esticada em dois paus fincados. O ajudante, um típico nordestino, e o vendedor alemão, acabam formando uma forte e improvável amizade. Ponto forte: esse road-movie “da tragédia”, no árido, miserável e “infame sertão” concretiza-se como uma ficção com espírito de documentário. A denúncia da miséria e do abandono no nordeste brasileiro é o verdadeiro objetivo do filme. O diretor utiliza músicas e noticiários do período fornecendo mais veracidade ao filme. Mostra também a extração da borracha na Amazônia para abastecer os norte-americanos na Segunda Guerra. O próprio protagonista vai para a Amazônia quando o Brasil entra em guerra contra a Alemanha, pois ele teria que retorna ao seu país ou ficar preso no território brasileiro. Além de retratar a entrada do Brasil na guerra, menciona as depredações a empresas italianas e alemãs. Filme de estrada, mas de cunho social: mescla aventura com a denúncia da pobreza no nordeste. Premio especial em Cannes. Venceu os festivais de Guadalajara, Lima, Mar del Plata, Cuiabá, Rio de Janeiro e São Paulo.

Preste atenção nas falas do personagem nordestino que sonha com um emprego em uma fábrica de aspirinas:
- “No Brasil nem guerra chega”.
- “Aqui é seca e pobre”. - “Minha cidade... cinco casas, uma cruz no meio”.
- “Isso é o sertão: miséria, coronel e piada de corno”.
A Classe Operária Vai ao Paraíso

A Classe Operária Vai ao Paraíso


A Classe Operária Vai ao Paraíso
La Classe Operaia va in Paradiso. ITA. 1971. 125 minutos Direção: Elio Petri. Elenco: Gian Maria Volontè, Mariângela Melato, Gino Pernice, Salvo Randone. Contexto histórico: as lutas sociais e ideológicas das décadas de 60 e 70. Sinopse: operário padrão que provoca o ódio nos colegas devido a sua produtividade é utilizado como exemplo pela direção da empresa. Após sofrer um acidente de trabalho, revolta-se contra a fábrica e aproxima-se do movimento sindical e estudantil. O seu processo de engajamento político é permeado por conflitos familiares e questionamentos profissionais, por sonhos de consumo de classe média e por protestos e movimentos de classe. Ponto forte: clássico do cinema político italiano, levanta a questão do engajamento político dos trabalhadores. A abordagem dialética enriquece o filme, pois explicita as contradições e mostra os vários lados da temática da condição do engajamento político: o consumo, a ética, o companheirismo, as lutas sociais, as idéias comunistas. Palma de Ouro em Cannes.


A Conquista do Oeste


A Conquista do Oeste


How the West Was Won. EUA, 1962, 164 minutos. Direção: John Ford. Elenco: Gregory Peck, Henry Fonda, Carroll Baker, John Wayne, Debbie Reynolds, James Stewart. Contexto histórico: a expansão americana rumo ao Oeste, entre 1830 e 1880, da chegada dos pioneiros à implantação das ferrovias, símbolo de civilização e modernidade. Sinopse: em tom heróico, o épico narra a conquista do Oeste através da trajetória de três gerações das famílias Prescott e Rawlings, passando pelo isolamento e pela dificuldade dos pioneiros, pela corrida do ouro na Califórnia, pela guerra civil americana e, finalmente, pela construção das estradas de ferro, que integram definitivamente a região ao país. Ponto forte: uma espécie de propaganda ufanista em um momento delicado da Guerra Fria. Ponto fraco: Épico fantasioso que idealiza em demasia os pioneiros, apresentado-os sempre como honestos, religiosos e trabalhadores.

O Corte



O Corte
Le Couperet. FRA/BEL/ESP, 2005, 122 minutos. Direção: Costa-Gravas. Elenco: José Garcia, Karin Viard. Contexto histórico: atual, a feroz concorrência no mercado de trabalho, a questão social do desemprego. Sinopse: engenheiro desempregado desespera-se e começa a matar os seus concorrentes. Ponto forte: a atitude irracional do protagonista parece ter uma lógica dentro da concorrência atual do mercado de trabalho, e essa é a grande crítica do filme: a normalidade do absurdo. Uma metáfora forte sobre a pressão e a competitividade no mercado de trabalho.



Crash – No Limite





Crash – No Limite
Crash. EUA, 2005, 122 minutos. Direção: Paul Haggis. Elenco: Sandra Bullock, Don Cheadle, Thandie Newton, Jennifer Esposito, Matt Dillon. Contexto histórico: atual, o difícil convívio de diferentes etnias e o isolamento social nas grandes cidades. Sinopse: Pessoas de diferentes etnias (americanos típicos, coreanos, mexicanos, afrodescendentes, latinos) e níveis sociais cruzam-se nas violentas e caóticas ruas de Los Angeles, diversas realidades entram em choque, em um verdadeiro estudo da atual pluralidade social. Los Angeles é uma cidade onde a grande maioria dos moradores possui carro e o contato humano é mínimo. A tese desenvolvida pelo filme: a única forma de contato acaba sendo os acidentes automobilísticos. Ponto Forte: sem maniqueísmos, a obra traça um retrato do caos urbano. Venceu o Oscar de melhor filme.